Modificações Corporais no Idoso

 

 

Nascer, desenvolver e envelhecer são etapas do ciclo da vida e nesta evolução natural ocorrem modificações corporais morfológicas e funcionais que são expressivas no idoso.

 

Envelhecer é um processo dinâmico e progressivo que ocorre de forma universal e irreversível levando a modificações morfo-funcionais, bioquímicas e psicológicas onde há diminuição da capacidade de adaptação do organismo ao ambiente, propiciando maior vulnerabilidade e incidência de doenças.

 

No mundo, o envelhecimento é fenômeno crescente, não sendo diferente no Brasil. Em nosso país, no ano de 2008, foi registrado aumento  da expectativa de vida média, a qual foi calculada em 72,8 anos, sendo maior entre as mulheres, estando isto relacionado a melhores condições de vida principalmente pelo desenvolvimento de políticas públicas de saúde e avanços tecnológicos. Em 2017, a população de idosos no Brasil (> 60 anos) superou a marca dos 30 milhões, sendo que nos últimos cinco anos houve um incremento de 4,8 milhões, correspondendo a um crescimento de 18% neste grupo etário. O fato demonstra a importância em se despender entendimento e conhecimento da saúde física e mental desta população, incluindo as modificações corporais e suas limitações.

 

É natural entender que a pessoa com mais de 60 anos desacelere seu ritmo de vida em diversas esferas, devido às limitações impostas pelo corpo físico. A mesma carga de trabalho, por exemplo, aos 30 ou 40 anos, não é igualmente suportada aos 60 anos ou mais, principalmente aquelas que exigem esforço físico e, menos comumente, nas atividades de cunho mental. Isto se deve por um declínio progressivo da composição e função corporal a partir da 4ª década de vida, com algumas variações.

 

No âmbito músculo esquelético observa-se uma perda da massa muscular de cerca de 0,5% ao ano, que pode iniciar aos 35 ou 40 anos sem perda de função evidente, evoluindo para cerca de 1% aos 60 ou 65 anos, podendo ser acompanhada de perda de função. A perda da função e massa muscular de forma generalizada e progressiva caracteriza a sarcopenia no idoso sendo de etiologia multifatorial como declínio neurológico, obesidade, alterações hormonais, diabetes, má nutrição, doenças reumáticas e diminuição da atividade física, afetando negativamente a qualidade de vida.

 

O diagnóstico de sarcopenia não deve ser feito apenas pela perda de peso corporal, uma vez que a massa magra comumente é substituída por outros tecidos, como o adiposo. O percentual de gordura aumenta cerca de duas vezes no idoso quando comparado à população de 25 anos, ou seja, em média o percentual de gordura de um homem aos 25 anos é de 14% e, aos 70 anos, de 30%, o que tem reflexo no aumento de doenças metabólicas como diabetes e obesidade, doenças osteoarticulares, neoplasias dentre outras.

 

Em relação ao compartimento hídrico, a composição da fração de água corporal no adulto jovem é de cerca de 61% e esta tende a diminuir com o envelhecimento, com uma queda de cerca de 7% aos 60 anos ou mais, o que implica em maiores riscos de distúrbios hidroeletrolíticos, como facilidade para a desidratação e, consequentemente, disfunções renais, o que requer maior atenção aos ajustes e uso das medicações, uma vez que estados de desequilíbrios hídricos alteram a cinética e efeito  dos fármacos. Por isso, a manutenção e preocupação da boa hidratação ao idoso é importante.

 

A massa óssea, com o envelhecimento, também sofre diminuição e rarefação de sua matriz, implicando em fragilidade e aumento do número de fraturas. O sexo feminino é mais suscetível às alterações ósseas após a menopausa devido às alterações hormonais que propiciam o aparecimento da osteopenia e osteoporose. Além da diminuição da massa óssea, ocorrem as deformidades estruturais do esqueleto, algo que reflete na alteração da postura corporal do idoso.  

 

As intervenções para prevenir ou reverter quadros de sarcopenia, obesidade, osteoporose, dentre outras patologias que estão direta ou indiretamente relacionadas com as modificações na composição corporal no processo de envelhecimento, estão fortemente associadas à alimentação saudável e ao exercício físico.

 

Todas as modificações da composição corporal podem representar limitações em maior ou menor grau ao indivíduo. Contudo, a adoção de um hábito de vida ativo desde muito cedo desacelera este processo e garante uma melhor qualidade de vida ao idoso. Ainda que o idoso não tenha um antecedente de atividade física regular, pode beneficiar-se a qualquer momento dos efeitos do exercício sobre a composição corporal.   

 

Os efeitos benéficos do exercício e alimentação de qualidade são percebidos pelo idoso quando avaliado sua disposição, vigor e auto-estima, principalmente por ganho de massa muscular, força, desempenho e modificações positivas da sua forma física. Uma escolha interessante seria a atividade aeróbia, como caminhar ou nadar, e resistida, como a musculação, que trabalham o sistema cardiovascular e músculo esquelético com certo controle e benefícios complementares, como ganho de potência aeróbia e força ou explosão, permitindo uma perceptível mudança na qualidade de vida do idoso. Contudo, a decisão entre qual atividade praticar vai depender do gosto, limitações e aptidão de cada indivíduo, sendo o mais importante manter-se ativo regularmente.  

 

Portanto, envelhecer é um fenômeno natural e crescente na população mundial sendo acompanhado por modificações em esfera biológica, bioquímica, mental e na composição corporal as quais podem ser minimizadas pela atividade física regular e alimentação saudável.              

 

Dr. Lourenço Sampaio de Mara (CRM/SC 8939)

Médico do Esporte (RQE 3533) e Clínico Geral (RQE 3559)

Mestre e Doutor em Medicina do Exercício e do Esporte

 

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