Síndrome de Excesso de Treinamento

October 31, 2018

 

O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para uma morte precoce, sendo o exercício físico um potente e indispensável fator de promoção da saúde. Entretanto, é relevante monitorarmos os efeitos da atividade física sobre o organismo, pois o excesso de treinamento pode acarretar sérios problemas.

 

Neste texto, o cardiologista e especialista em medicina do exercício e do esporte, Dr. Tales de Carvalho (RQE 4525 / CRM-SC 4557), chama a atenção para a síndrome do excesso de treinamento (overtraining), que costuma causar graves consequências para a saúde física e mental. Em alguns casos, a atividade física em doses exageradas pode até ser gatilho para a morte súbita no esporte.

 

Abaixo, você vai conhecer os principais sintomas, entender como se prevenir e a importância de procurar orientação profissional.

 

Síndrome de Excesso de Treinamento

 

O sedentarismo é um dos cinco principais fatores responsáveis pela mortalidade global. Já os exercícios físicos são um dos mais importantes recursos de promoção da saúde, inclusive mental.

 

Hoje, as Diretrizes sobre Atividade Física recomendam que os adultos façam, pelo menos, 30 minutos de atividade física moderada 5 vezes por semana - ou 25 minutos de atividade vigorosa 3 vezes semanais. Para as crianças, são recomendados, no mínimo, 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada.

 

No entanto, os melhores resultados para a saúde costumam ocorrer com cargas 5 vezes superiores às recomendadas pelas sociedades médicas.

 

“Existe uma relação inversa entre aptidão física e mortalidade, tanto para cardiopatas como para indivíduos aparentemente saudáveis. Os estudos de Jonathan Myers demonstram ser a capacidade de exercício o mais potente preditor de mortalidade por todas as causas (doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, etc.)” Dr. Tales de Carvalho, Cardiologista (RQE 4525 / CRM-SC 4557).

 

Vários outros estudos corroboram os resultados de Myers. Entretanto, atletas e numerosos praticantes sem objetivos competitivos costumam se exercitar com cargas 10 a 15 vezes superiores ao recomendado - o que pode levar à Síndrome de Excesso de treinamento. Somente na Europa, por exemplo, cerca de 2 milhões de indivíduos participam anualmente de maratonas.

 

Esta situação tem estado presente nas discussões científicas. Existem, inclusive, especulações sobre a possibilidade dos exercícios causarem dano cardíaco e, consequentemente, a necessidade de que sejam determinados os limites para uma atividade considerada saudável.

 

Como acontece

 

Exercícios em grande volume e alta intensidade, realizados em condições inadequadas para a recuperação, podem causar a Síndrome de Excesso de Treinamento (SET). Intervalos insuficientes entre as sessões, sono de má qualidade, alimentação pobre em carboidratos - entre outras situações de estresse físico e mental - são alguns dos fatores que levam à SET, que pode se manifestar de duas formas:

 

A SET Simpática é considerada a forma clássica, e provoca respostas paradoxais ao treinamento (opostas às desejáveis), como: piora do desempenho, piora do humor, repetidas infecções virais e manifestações que caracterizam um processo de catabolismo, inclusive com perda de massa muscular (com queda de hormônios anabólicos e aumento de hormônios catabólicos).

 

“Refletindo uma modulação autonômica inadequada (atividade simpática exacerbada) ocorre: elevação da freqüência cardíaca (FC) e da pressão arterial (PA) basais, maior tempo de recuperação da PA e FC após esforço, redução da variabilidade de FC etc.” Dr. Tales de Carvalho (RQE 4525 / CRM-SC 4557).

 

O outro lado da moeda é a SET parassimpática ou vagal. Ela provoca respostas cardiovasculares no sentido do que é esperado ao treinamento, mas de forma exagerada. Pode causar transtornos devido à bradicardias acentuadas (FC muito baixa), pressão arterial muito baixa, apatia e inibição das respostas reflexas com hipotensão postural (queda de pressão quando se levanta subitamente) e até mesmo lipotímias (desmaios).

 

Em ambas as situações as anormalidades tendem a ser transitórias, mas exigem, por vezes, longos períodos para a volta da normalidade e cuidados profissionais especializados.

 

Considerações finais

 

Para finalizar, vou listar as minhas conclusões sobre o tema, em conferências ministradas em setembro Congresso Brasileiro de Cardiologia em Brasília e há alguns dias no Congresso Nacional do DERC:

 

  1. O sedentarismo é uma das principais causas de doenças e morte precoce no mundo;

  2. Qualquer exercício físico é melhor que nada;

  3. Os maiores benefícios do exercício ocorrem nos que se exercitam 5 vezes acima do habitualmente recomendado pelas sociedades médicas;

  4. Não há evidências científicas consistentes de que doses 10 vezes acima do habitualmente recomendado sejam prejudiciais para a saúde;

  5. Não existem estudos longitudinais relacionando doença cardíaca ao exercício físico intenso realizado regularmente;

  6. Mas, existem fortes indícios de que a síndrome do excesso de treinamento (SET) possa ser GATILHO ou até CAUSA de Doença Cardiovascular e de eventos cardiovasculares relevantes, como infarto do miocárdio, arritmias graves e até morte súbita.

 

Cuide da sua saúde. Faça atividades físicas com orientação profissional e evite a síndrome do excesso de treinamento. A Cardiosport é referência em prevenção, medicina do esporte e reabilitação.

 


Sobre o autor: Dr. Tales de Carvalho (CRM-SC 4557 / RQE 4525)  é Cardiologista e especialista em Medicina do Exercício e Esporte, com Doutorado em Medicina (área de patologia) pela USP. Destaca-se pela atuação profissional e científica relacionadas à Prevenção e Reabilitação Cardiovascular, Pulmonar e Metabólica (PRCPM). Exerce também uma intensa atividade como palestrante, discorrendo sobre a influência do estilo de vida, especialmente do exercício físico, na prevenção e tratamento de doenças e na promoção de saúde e qualidade de vida. Professor Titular do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (CEFID), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), é orientador de alunos dos cursos de mestrado e doutorado, e coordena as ações de pesquisa do Núcleo de Cardiologia e Medicina do Exercício. Sócio Fundador, Diretor Técnico e Médico da Clínica de Prevenção e Reabilitação CARDIOSPORT.

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